Sexta-feira, Setembro 29, 2006

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas estou tão pouco preparada para entender. Mas como faço agora? Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê."
"Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."
" Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."


(Paixão segundo G.H. trechos do livro - Clarice Lispector)

Não é do caralho?

Só para crianças

Era uma vez um lencinho que vivia num quintal, pendurado num varal. Esse lencinho tinha muita vontade de voar, e disse à um dos pregadores: Por favor me solte gostaria muito de sair voando por aí. E o pregador soltou. O outro pregador que era chato, não quis soltá-lo, mas o lencinho insistiu tanto que o pregador acabou soltando. E o lencinho caiu no chão do quintal, de repente passou um vento e o lencinho saiu voando, voando e enganchou numa árvore. Veio um passarinho e tirou o lencinho da árvore. O passarinho voou com ele por muitos lugares, até que ele caiu e uma pomba que estava passando por ali, pegou o lenço e levou para o seu ninho para aquecer para os seus ovinhos. Depois de algum tempo os filhotinhos nasceram e derrubaram o lencinho no chão. Mais uma vez veio o vento, mas um vento muito forte e o lencinho ficou voando lá no alto do céu e se encontrou com um balão até que o balão pegou fogo e o lencinho virou cinzas caiu na terra. As formigas trabalhadoras, fizeram um formigueiro e veio um menino muito mau e chutou o formigueiro. E veio denovo o vento, o vento mais forte que se pode imaginar, soprou o formigueiro com as cinzas e o lencinho que tinha muita vontade de voar, se transformou em vento...
(texto produzido por crianças do PETI [Programa de Erradicação do Trabalho Infantil] à partir do texto teatral: "História de lenços e Ventos de Ilo Krugli)

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Elas...

Quem nunca...?

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Álcool.

Expansão.
Respiração.

À Flor dos sentidos...

Prazer
em estar

e só estar...

Sábado, Setembro 23, 2006

Primavera...

Sábado, Setembro 09, 2006

Em poucas...


As poucas palavras que eu sabia
foram sugadas por seus lábios
num susto.
Há muito esperado...

Ao sugares minha pureza disfarçada,
suguei sua beleza sombria
Levitando,
Como num passe de mágica

E você:
?
Num passe de mágica...

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Névoa


Amanhece. Corpo imóvel, pesado. A luz forte da janela sem cortina, abrem os olhos da moça. a perna latejando, e o peso indescritível do corpo, lembram que a tempos essa moça não descansa, por mais que ela durma. Ao mesmo tempo, parece abster-se de qualquer coisa que possa provocar algum sentimento maior. E já, está cheia, a Lua. Escuridão. Canta. Ouve. São gritos e os sussurros da névoa branca ... Ouça. Sinta... Com dificuldade a moça abre os poros. Sente gelar de fora pra dentro, sendo logo espremida pelo frio. nenhuma consequencia nos olhos. Ainda bem?

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Quem? Ela?

É engraçado como ela não consegue andar devagar, divagando... não consegue aceitar-se lenta. Olhando para a maturação do céu, róseo num dia gelado. Mas vai, mesmo sem a euforia de antes. Esse ser que não sabe se é luz ou treva... (Embora saiba que ninguem é uma coisa só) Por aí em ais. Rasgando-se. De dentro. Pra fora.

Domingo, Setembro 03, 2006





Rosas que tocam pele
Mãos que apertam caule,
Se ferem

Amargo amarelo amarronzado...

O brilho nos olhos puros de outrora?
Se foi.
Com os cabelos, longos...
Pra uma lata de lixo qualquer...

Nesse lugar onde só havia a pureza:

agora habita dejeto
Resto dos restos...

amargo amarelo amarronzado:
Cria o caroço no pescoço,
A dor em todo o lado direito (virando "isquerodo" - do avesso)
O peso do tempo...

Hoje? Me consumo...